CIMBRA - Comunidades integrantes

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Mosteiro de Nossa Senhora da Vitória

Fundado em 21 de novembro de 1982 por um convite insistente do então Arcebispo de Aracaju, D. Luciano José Cabral Duarte, 5 monjas foram enviadas pelo Mosteiro de Nossa Senhora do Monte, em Olinda, levando a semente da vida monástica para a cidade histórica de São Cristóvão.

Foi acolhido com muito carinho o primeiro Mosteiro de vida contemplativa do Estado de Sergipe!

A Arquidiocese de Aracaju doou às monjas o belo convento do Carmo, construído pelos frades Carmelitas há mais de 300 anos. Foi abandonado por falta de vocações. Muito tempo depois chegaram as Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, que aí instalaram seu noviciado, onde a tão conhecida Ir. Dulce iniciou sua vida religiosa e fez sua Profissão. Permaneceram cerca de 40 anos. Com a transferência para Salvador o prédio ficou novamente abandonado.

O desgaste do tempo, os morcegos que lá se instalaram para não mais sair, os cupins que devoravam todo o madeiramento, etc, tornaram o prédio muito insalubre. A primeira Prioresa adoeceu gravemente e precisou voltar. Mas heroicamente as fundadoras assumiram sua missão com toda fidelidade, devotamento e alegria.

A comunidade cresceu, e os problemas também. As providências tomadas eram insuficientes, apesar da boa vontade das autoridades. Até que foi constatado que o prédio não oferecia mais segurança às moradoras: riscos de desabamento e incêndio, além do mofo, morcegos, ácaros, fungos, etc, etc. Em 9 de julho de 2001 ele foi interditado. Como o prédio era tombado pelo IPHAN, nosso caso foi levado ao Ministério Público.

Durante 1 ano e 15 dias nos abrigamos numa pequena casa levando o estritamente necessário, deixando os nossos pertences entregues aos cupins e morcegos. Algumas Irmãs precisavam dormir no Orfanato das Irmãs da Imaculada Conceição, pois não havia espaço para todas. Experimentamos então o que passam milhares de irmãos nossos em sua luta pela sobrevivência. Nessa situação aparentemente caótica para uma comunidade, foi-se revelando para nós o plano de Deus. Partimos à procura de um terreno para construirmos nosso Mosteiro simples, mas sadio. Nosso caro Arcebispo Dom José Palmeira Lessa queria que ficássemos com o Convento São Francisco, que é a Casa de Encontros de São Cristóvão muito procurada por todo o Estado de Sergipe, porém a comunidade achou que não poderíamos parar com os encontros que tanto bem fazem, nem deixar desempregados os que lá trabalham. Ofereceu-nos também alguns terrenos, mas por causa de nosso trabalho ligado ao turismo, seria muito difícil a nossa sobrevivência, pois vivemos do trabalho de nossas mãos. Falaram-nos de um terreno abandonado, ao lado do Fórum. Com esse nos encantamos. Possuía todas as condições.

Lutamos muito por ele, tivemos muitas promessas, até o projeto arquitetônico do Mosteiro já tínhamos. Mas foi preciso abandonar a idéia, pois constatamos a impossibilidade de ganhá-lo.

Este tempo de rica experiência espiritual foi também um tempo de discernimento na escuta e na oração. Foi amadurecendo a idéia de uma transferência de Diocese incentivada por nosso então Abade Presidente, Dom Joaquim de Arruda Zamith, OSB e por nosso atual Abade Presidente Dom Emanuel d'Able do Amaral, OSB.

Em 15/06/2001, o Revmo D. Fernando Panico, de passagem por São Cristóvão visitou o Mosteiro já se preparando para a interdição. Disse que estava se transferindo para a Diocese do Crato. Tomaria posse dia 29/06. Acrescentou: “Se não ficarem aqui, lembrem-se de mim”.

Em 25/07/2002 pudemos enfim voltar ao Mosteiro com uma pequena parte reformada porém cercada de INTERDITADO por todos os lados. Nosso refeitório foi substituído por pequenas celas abafadas, passamos a fazer nossas refeições entre fogão, pias e panelas.

Uma vez tomada à decisão da transferência para outra Diocese, Dom Abade Joaquim iniciou os contatos.

Já havíamos recebido alguns convites, mas começou pela Diocese de Crato. A resposta foi animadora. Viemos, 3 monjas, para uma sondagem. Encontramos tanto acolhimento que não sentimos necessidade de buscar outro lugar. Sentimos aqui uma Igreja viva, dinâmica e um povo que reza e trabalha, justamente o lema da Ordem Beneditina “Ora et labora”.

Foi-nos doado um belo terreno pela Prefeitura Municipal de Juazeiro do Norte.

A notícia de nossa saída de São Cristóvão provocou uma tomada de consciência. Recebemos várias propostas para reverter a situação, mas já havia uma palavra empenhada e sobretudo, o que sabíamos ser um plano de Deus conduzindo nossa comunidade. Deus é fiel! Faz tudo concorrer para o bem dos que o amam.

No dia 13 de maio de 2003 nossa comunidade chegou a Juazeiro do Norte acolhida calorosamente, como primeiro mosteiro contemplativo da Diocese.

A Sra Rosenir Fiusa, do Colégio Paraíso, ofereceu-nos sua chácara no Bairro Aeroporto enquanto o Mosteiro definitivo era construído e aí permanecemos por 2 anos.

Esse período no mosteiro provisório foi muito rico em experiências para nós, tratando-se de uma região muito carente, de muita pobreza e até miséria. Mesmo sem sairmos para qualquer trabalho pastoral, o mosteiro tornou-se para nossos vizinhos um ponto de referência: conseguimos levar para lá a Pastoral da Criança, colaboramos na formação do grupo jovem e nossas missas dominicais eram celebradas do lado de fora, por causa do grande número de fiéis que enfrentavam o sol forte, em pé, sem nenhum conforto. Surgiu também a Infância Missionária e assim foi formada a COMUNIDADE SÃO BENTO. Graças a Deus a semente continua germinando. A Comunidade Sal da Terra assumiu a animação das Missas e a Evangelização. A Missa Dominical, continua a ser celebrada, graças aos Frades Capuchinhos em cuja paróquia se encontra a Comunidade São Bento.

Dia 30 / 09 houve o lançamento da Pedra Fundamental, com uma Missa Solene concelebrada por nosso Bispo Dom Fernando Panico, MSC e vários sacerdotes amigos.

Dia 24 de março de 2004, aniversário de Pe. Cícero, assinamos o contrato com a construtora CECÉ COELHO ENGENHARIA LTDA e no dia 25, sob a proteção de Nossa Senhora demos inicio às obras de construção do Mosteiro de Nossa Senhora da Vitória de Juazeiro do Norte, graças à generosidade de uma Fundação Holandesa anônima que nos doou a hospedaria e a equipou para que pudesse funcionar.

Nesse mesmo dia 24 de março foi inaugurada a Rádio Educativa Salesiana Pe. Cícero e nos foi pedida uma participação em sua programação. Semanalmente é gravado no próprio mosteiro, por causa da clausura, o programa “A Voz do Mosteiro”, um momento de espiritualidade em que procuramos também tornar conhecida a riqueza da sabedoria de Nosso Pai São Bento.

A AIM (Aliança entre Mosteiros) e outras instituições ligadas à vida monástica na França, nos deram o muro que cerca todo o terreno e o poço artesiano. A ala das celas foi doada por católicos alemães ( ADVENIAT) e a ala das Oficinas foi-nos doada pela Kirch-in-Not (Ajuda à Igreja que Sofre).

Durante nossa permanência no Mosteiro provisório tivemos duas Profissões Solenes, duas Profissões Temporárias e dois inícios de Noviciado, todas vindas conosco de São Cristóvão Contamos também com a presença constante de nosso Pastor D. Fernando Panico, MSC, e ainda a do nosso pároco Pe. José Alves de Oliveira, dos padres que celebram a Eucaristia para nós com tanta alegria e dos amigos que ao longo desse período fomos conhecendo e nos são tão caros. Também nesta casa entregamos nas mãos do Pai nossa querida Ir. Myriam Alves da Costa, uma das fundadoras de nosso mosteiro, falecida no dia 23 de novembro de 2004.

No dia 24 de junho de 2005 foi inaugurado o nosso mosteiro definitivo. A Providencia Divina agiu muito rapidamente e a todos os que nos visitam causa surpresa a construção de uma grande e moderna hospedaria, além das celas e oficinas, projeto arquitetônico de Dra. Maria Lília Campelo, num curto espaço de tempo, pois a construção começou em abril de 2004 e pôde ser inaugurada em junho de 2005.

Esse dia 24 foi inesquecível. Quase todos os Mosteiros de nossa Congregação se fizeram presentes através de mensagens e também representantes: O Mosteiro de Nossa Senhora do Monte, nosso Mosteiro fundador, o Mosteiro da Visitação, o Mosteiro de Garanhuns, o Mosteiro de São Bento de Olinda, o Mosteiro de São Sebastião da Bahia na pessoa de nosso Abade Presidente e de Dom Gregório Paixão e ainda o Mosteiro da Redenção em Natal. Também Madre Mectildes Vilaça Castro, abadessa emérita de Nossa Senhora do Monte, fundadora do nosso Mosteiro em São Cristóvão veio viver conosco esse grande dia.

O altar foi preparado no estacionamento, onde foram colocadas 1000 cadeiras. Foram chegando os amigos e grande número dos que responderam ao convite transmitido por várias emissoras de rádio. A área muito grande, ainda não construída, do nosso Mosteiro tornou-se pequena diante da multidão que afluiu. Calculou-se cerca de 3.000 pessoas, número confirmado por várias fontes.

A solene Eucaristia, presidida pelo Revmo Sr. Bispo de Crato, Dom Fernando Panico, MSC, teve como concelebrantes o Revmo Arquiabade Dom Emanuel d'Able do Amaral, OSB e cerca de vinte sete sacerdotes vindos das diversas paróquias e comunidades da Diocese. Estavam presente também todos os Diáconos Permanentes, além de muitas outras Congregações Religiosas da Diocese. A homilia foi proferida por Dom Fernando que com grande entusiasmo falou da importância de uma comunidade monástica contemplativa nesta Diocese, conclamando as monjas quanto ao testemunho de vida, de oração e trabalho. Antes da benção final tomou a palavra o Revmo Dom Arquiabade Emanuel que historiou a transferência deste mosteiro, de São Cristóvão para as terras do Juazeiro, lembrando suas preocupações e a perseverança da Comunidade, seu sofrimento assumido com verdadeiro espírito de peregrinação.

Agradeceu a Dom Fernando e ao povo de Juazeiro, especialmente ao Padre José Alves de Oliveira, “mais do que padrinho” segundo a expressão do Sr. Bispo que o designara para acompanhar as monjas em todo esse processo e também a Dom Gregório Paixão, monge de seu mosteiro que ele designou para acompanhar a comunidade, o que ele tem feito com espírito verdadeiramente fraterno.

Dom Gregório tem sido para nós verdadeiramente irmão. Muito nos ajudou com sábias orientações e sugestões no projeto arquitetônico do Mosteiro, veio escolher conosco o terreno e tendo chegado três dias antes da inauguração muito colaborou na preparação desse grande dia e muito contribuiu para a beleza da cerimônia assumindo o canto gregoriano e dirigindo o coral.

D. Fernando reservou uma surpresa para o final: A bênção apostólica de Sua Santidade o Papa Bento XVI.

Dia 29 tivemos o privilegio de celebrar as Bodas de Prata de Profissão Monástica do nosso caro D. Arquiabade Emanuel.

Dia 15 de setembro: a festa da Nossa Senhora das Dores, padroeira da cidade de Juazeiro do Norte atrai uma grande romaria. Escolhemos esse dia para a entrada da 1ª cearense; Regina Alencar Vieira que por coincidência nasceu no dia 20 de julho, aniversário da morte de Pe. Cícero, soleníssima para a cidade, que acolhe uma multidão de romeiros vindo de todas as partes do Nordeste e ainda: é natural de Crato, cidade onde nasceu Pe. Cícero.

Nesse ano de 2006 continuamos a lutar pela continuação da construção, pois ainda há muito que construir na ala da clausura e sobretudo a nossa igreja, pois nossas missas dominicais são celebradas no hall de entrada por causa do número de fiéis.

Mas sabemos que a Providencia Divina continua velando por nós. Graças a Deus nossa comunidade vai crescendo com a chegada de novas vocações. Contemplando todas as etapas já percorridas e tudo o que o Senhor já fez, a ação de graças que brota de nossos corações nos faz dizer com o salmista: “Eu agradeço vosso amor vossa verdade, porque fizestes muito mais que prometestes” (Sl 137).

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