
DA HOMILIA DO PAPA PAULO VI NA DEDICAÇÃO DA IGREJA ABACIAL DE MONTECASSINO NO ANO DE 1964
Leitura para a Solenidade de São Bento (11/7)
A austera e suave presença de São Bento hoje
Não falaremos hoje do papel que o monge - o homem reconquistado a si próprio - pode desempenhar na Igreja; mas, como dizíamos, do papel que pode desempenhar no mundo - neste mundo que ele deixou, mas ao qual permanece ligado por novos laços, decorrentes do seu afastamento - contraste, espanto, possíveis confidências e conversas particulares, complementariedade fraterna. Digamos não apenas que esta complementariedade existe, mas ela se torna ainda mais importante quando o mundo tem maior necessidade dos valores conservados no mosteiro, valores que não considera roubados, mas conservados, apresentados, oferecidos a ele.
Vós, beneditinos, o sabeis, sobretudo pela vossa história. E o mundo sabe também, sobretudo quando quer relembrar o que vos deve, e o que pode ainda lucrar por vosso intermédio. Eis uma grande e importante realidade, de valor vital para nossa velha sociedade, sempre viva, mas que tem hoje tanta precisão de haurir nas raízes nova força e esplendor, naquelas raízes cristãs que devemos em grande parte a São Bento, que as nutriu com o seu espírito. Esta bela realidade merece nossa lembrança, nosso culto e nossa confiança. Mesmo que não se deva pensar numa nova Idade Média, caracterizada pela ação dominante da abadia beneditina, quando uma fisionomia inteiramente diversa é dada á nossa sociedade por seus centros culturais, industriais, sociais e esportivos, dois motivos fazem sempre desejável entre nós a austera e suave presença de São Bento: a fé e a unidade. A fé que ele e sua Ordem pregaram à comunidade dos povos, sobretudo na Europa: a fé cristã, a religião da nossa civilização, a da Santa Igreja, mãe e educadora das nações. E também a unidade, pela qual o grande monge, solitário e social, nos ensinou a sermos irmãos, e graças à qual a Europa pode ser a cristandade. Fé e unidade, que poderíamos desejar de melhor para o mundo inteiro, e especialmente para esta porção escolhida que é a Europa? Que haverá de mais moderno, de mais urgente, de mais difícil e mais contrariado, de mais necessário e mais útil à paz?
Para que este ideal da unidade espiritual da Europa se torne de agora em diante sagrado e intangível para os homens de hoje - tanto os que podem agir como os que podem apenas desejar - e para que não lhes falte o auxílio do alto, a fim de que possam realizar esse ideal por felizes iniciativas, foi que proclamamos São Bento padroeiro de toda a Europa.
Homilia a 24 de outubro de 1964, in fine
Última revisão: 11/07/98
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