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3 de fevereiro
4º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano A)
Leitura do dia: Mt 5, 1-12a
Do Comentário sobre o Evangelho de São Mateus, de Santo Hilário, bispo
Cristo estabeleceu os preceitos da vida celeste
Reunida grande multidão, Jesus sobe ao monte e ensina: isto é, colocando-se à altura da majestade do Pai, estabelece os preceitos da vida celeste. Não poderia dar-nos princípios eternos se não estivesse estabelecido na eternidade. Assim está escrito: Abriu a boca e ensinava-lhes (Mt 5, 2). Sem dúvida, era mais fácil dizer que ele falara. Mas, porque estava estabelecido na glória da majestade paterna e ensinava o que é a vida eterna, mostra-se que o dever da boca é obedecer à moção do Espírito Santo que fala.
Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus (Mt 5, 3). Já o Senhor, com seu exemplo, nos ensinara a deixar de lado a glória da ambição humana, ao dizer: Adorarás o Senhor, teu Deus e só a ele prestarás culto (Mt 4, 10). E, como havia anunciado pelos profetas que escolheria para si um povo humilde e temente à sua palavra, colocou na humildade de espírito o princípio da perfeita bem-aventurança.
Por isso, lembrando que somos destinados à posse do reino dos céus, devemos aspirar ao que é humilde, conscientes da miserável pobreza da nossa origem, através da qual passamos, antes de atingir a plenitude da forma do nosso corpo. Porque, se progredimos no sentir, no ver, no julgar, no agir, é porque Deus nos dá a força. Nenhum de nós pense ter algo de seu, nem de próprio, mas tudo nos é dado por um só Pai, desde os primórdios da existência, até mesmo a faculdade de usufruí-la. E nós, seguindo o exemplo daquele ótimo Pai que nos deu tudo, devemos imitar a bondade que ele extravasou sobre nós: ser bons para com todos, e considerar todas as coisas como pertencentes a todos, sem nos deixarmos corromper pela vaidosa pompa deste mundo, nem pela avidez das riquezas ou pela ambição da vanglória.
Mas sejamos submissos a Deus e procuremos, pelo amor à vida comum, unir todos em comunhão de vida, valorizando o dom que a divina bondade, chamando-nos à existência, nos promete para a eternidade, prêmio e honra que devemos merecer com as obras da vida presente. Assim, por essa humildade de espírito, lembramo-nos de Deus e de tudo o que nos concedeu e do que ainda havemos de esperar: será nosso o reino dos céus.
Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça (Mt 5, 10). Por fim, são recompensados com a plenitude da bem-aventurança, aqueles que têm o ânimo disposto a tudo sofrer por Cristo: porque ele mesmo é a justiça.
Aos pobres em espírito que desprezaram o mundo, aos marginalizados pela perda dos bens terrenos ou por alguma outra adversidade, aos que reconheceram a justiça divina, apesar da melevolência dos homens, e enfim aos gloriosos mártires que dedicaram toda a sua vida ao testemunho das promessas de Deus e da eternidade: a todos estes está reservado o reino e é prometida no céu uma recompensa.
In Matthæum, cap. 4, 1-3.9
(Patrologia Latina 9, 931-934)
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