Monge
 
 
 

 

6 de abril

3º DOMINGO DA PÁSCOA (ano A)

Leitura do dia: Lc 24, 13-35  

Das Homilias de São Gregório Magno, papa

A Verdade caminhava com eles , e eles não podiam ficar alheios a seu amor   

Acabastes de ouvir, amados irmãos, que o Senhor apareceu a dois discípulos que caminhavam e que, não acreditando, falavam acerca dele. Apareceu sem lhes mostrar uma fisionomia que eles reconhecessem. O Senhor realizou exteriormente, aos olhos do corpo, o que se passava neles interiormente, aos olhos do coração. Em seu interior, com efeito, eles amavam e duvidavam; exteriormente, porém, em presença deles, o Senhor não manifestava quem era.

            Aos que falavam a seu respeito, ofereceu sua presença. Mas, porque duvidavam, escondeu a fisionomia que lhes teria permitido reconhecê-lo. Participou da conversa, reprovou-lhes a dureza de inteligência; desvendou os mistérios das Sagradas Escrituras que lhe diziam respeito e, apesar de tudo, porque em seus corações e para sua fé deficiente ele era apenas um estranho, fingiu seguir caminho.

            A Verdade, que é uma só, de maneira alguma agiu com duplicidade, mas mostrou-se no corpo tal como era, para eles, em sua mente. Deviam ser provados para ver se, não o amando ainda como Deus, poderiam amá-lo como estranho. A Verdade caminhava com eles. Mas, por não poderem estar alheios a seu amor, oferecem-lhe hospitalidade como viajante.

            Preparam a mesa, oferecem o alimento e, na fração do pão, reconhecem a Deus que não haviam reconhecido na explicação da Sagrada Escritura. Não foram esclarecidos ouvindo os preceitos de Deus, mas o foram através da prática, como está escrito: Não são justos diante de Deus os que se contentam de ouvir o ensino da Lei, mas somente aqueles que observam a Lei é que serão justificados por Deus (Rm 2, 13). Portanto, quem quiser compreender o que ouviu, se apresse em realizar, na prática, o que já pôde compreender. O Senhor não foi reconhecido enquanto falava, mas permitiu ser reconhecido quando comia.

Amai a hospitalidade, caríssimos irmãos, amai as obras de caridade. É a ela que Paulo se refere, quando diz: Perseverai no amor fraterno. Não descuideis da hospitalidade; pois, graças a ela, alguns hospedaram anjos, sem o perceber (Hb 12, 1-2). A esse respeito, Pedro afirma: Sede hospitaleiros uns com os outros, sem reclamações ((1Pd 4, 9). E a própria Verdade diz: Eu era estrangeiro e me recebestes em casa (Mt 25, 35). E quando vier, no dia do Juízo, dirá: Todas as vezes que fizestes isso a um desses mais pequeninos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes! (Mt 25, 40).

Considerai, irmãos, quão grande é a virtude da hospitalidade. Acolhei a Cristo em vossas mesas, para merecerdes ser por ele acolhidos no banquete eterno. Dai agora hospitalidade a Cristo peregrino, a fim de que, no dia do juízo, ele não vos desconheça como peregrinos; mas, com sua ajuda, vos receba em seu reino como um dos seus, ele que vive e reina com Deus por todos os séculos dos séculos. Amém.  

In Evangelia, Homilia 23, 1-2
(Patrologia Latina 76, 1182-1183)



 

IR PARA O PRÓXIMO TEXTO >>

<< VOLTAR AO ÍNDICE DE TEXTOS

  

 
 
Última revisão: 25/04/2008
Copyright © 1996-2008 by Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS