Monge
 
 
 

 

6 de fevereiro

QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Leitura do dia: 2Cor 5, 20 – 6, 2

Dos Sermões de São Leão Magno, papa

O momento favorável

            Devendo pregar-vos, amados filhos, sobre o mais sagrado e importante jejum, que introdução mais adequada poderia eu encontrar senão as palavras do Apóstolo, através do qual Cristo nos fala? Começarei, pois, dizendo o que foi lido anteriormente: É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação (2Cor 6, 2). Sabemos que não existe momento algum que não esteja repleto dos dons de Deus, e que sua graça sempre nos possibilita acesso a sua misericórdia. Por conseguinte, é necessário que os corações dos fiéis se apliquem ao progresso espiritual com mais empenho e se animem com maior confiança. Pois o retorno do dia em que fomos redimidos nos convida a todos os deveres da piedade. Assim celebraremos com corpos e almas purificados o sacramento mais sublime de todos: a paixão do Senhor.

            Certamente, tão grandes mistérios exigiriam uma devoção incessante e uma contínua reverência, de modo que permanecêssemos na presença de Deus tal como nos deveríamos encontrar na festa da Páscoa. Mas são poucos os que têm essa virtude. As práticas mais austeras se relaxam por causa da fragilidade da carne, e a solicitude espiritual esmorece em meio às várias ocupações da vida. Até mesmo os corações religiosos ficam embaçados pela poeira deste mundo. Por isso, uma instituição divina grandemente salutar, estabeleceu um exercício de quarenta dias para reparar a pureza de nossas almas e nos servir de remédio. Nesse período, as faltas outrora cometidas podem ser redimidas mediante as boas obras e os santos jejuns.

            Estando, pois, filhos caríssimos, para entrar nos dias místicos consagrados pela prática dos jejuns salutares, cuidemos de obedecer aos preceitos do Apóstolo, purificando-nos de toda mancha do corpo e do espírito (2Cor 7, 1).

            Reprimidas as lutas, que opõem uma a outra as duas substâncias de que somos constituídos, a alma, a quem compete dirigir o corpo sob o governo de Deus, conquiste a dignidade do deu domínio. Assim, sem ofender a quem quer que seja, não nos exporemos às censuras dos maledicentes.

            Não é gratuitamente que seremos criticados pelos infiéis e, por nossa culpa, as línguas dos ímpios se armarão contra a religião, se os costumes dos que jejuam não estiverem de acordo com a pureza de uma perfeita moderação. Com efeito, todo o nosso jejum não consiste apenas na simples abstinência de comida, e é sem fruto que se subtrai o alimento ao corpo, se o espírito não se afasta da iniqüidade.

Sermo 29, 1-2
(Sources Chrétiennes 49, 43-45)



 

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Última revisão: 30/01/2008
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