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7 de maio
4º DOMINGO DA PÁSCOA (ano B)
Leitura do dia: Jo 10, 11-18
Veio do céu um pastor para reconduzir aos prados da vida as ovelhas desgarradas
Que o bom pastor tenha vindo à terra quando Cristo veio ao mundo, ele mesmo proclamou hoje: Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida por suas ovelhas (Jo 10, 11). Ele é também o Mestre que procura auxiliares e companheiros, em todo o mundo, para cuidar das ovelhas, dizendo: Aclamai o Senhor, ó terra inteira (Sl 99 [100], 2).
Por isso é que, estando para subir ao céu, recomenda a Pedro que apascente as ovelhas em seu lugar: Pedro, tu me amas? Sê pastor de minhas ovelhas (Jo 21, 16). E, para que não forçasse com poder, mas levasse de volta com amor as frágeis primícias, repete: Pedro, tu me amas? Cuida de minhas ovelhas (Jo 21, 17). Recomenda as ovelhas, recomenda os rebentos das ovelhas porque, como pastor presciente, já previa a fecundidade futura de seu rebanho: Pedro, tu me amas? Cuida de meus cordeiros (Jo 21, 15). A esses cordeiros, Paulo, seu colega de pastoreio, oferecia leite em abundância, dizendo: Eu vos alimentei com leite, não com alimento sólido (1Cor 3, 2). Sentiu isso o santo rei Davi, e por isso clamou com amoroso balido: O Senhor é o pastor que me conduz; não me falta coisa alguma. Pelos prados e campinas verdejantes ele me leva a descansar. Para as águas repousantes me encaminha (Sl 22 [23], 1-2).
A quem retorna aos prados da paz evangélica, depois de constantes gemidos de guerra, depois de uma triste vida de sangue, o versículo seguinte anuncia a alegria do serviço. O homem era escravo do pecado, era cativo da morte, estava acorrentado pelos vícios. Quando é que o homem não esteve triste, vivendo sob o pecado? Quando é que não esteve chorando, condenado à morte? Quando é que não se sentiu desesperado sob a opressão dos crimes? Por isso é que ele dava os últimos suspiros, tendo de suportar constantemente tais e tão cruéis patrões.
Por isso também é que o profeta, vendo-nos libertos dele e reconduzidos ao serviço do Criador, à graça do Pai, ao serviço voluntário do único Senhor que é bom, exclama com razão: Servi ao Senhor com alegria, ide a ele cantando jubilosos (Sl 99 [100], 2). Pois tudo o que o pecado havia tirado, tudo o que o remorso tinha destruído, a graça restituiu, a inocência trouxe de volta.
Nós somos seu povo e seu rebanho (Sl 99 [100], 3). Foi-nos mostrado, em linguagem de parábola, que viria do céu um pastor que salvaria as ovelhas transviadas e reconduziria com supremo júbilo, para os prados da vida, as ovelhas feridas pela comida fatal. Entrai por suas portas dando graças (Sl 99 [100], 4). Só a proclamação de seu amor é que nos faz entrar pela porta da fé.
E em seus átrios com hinos de louvor; dai-lhe graças, seu nome bendizei! (Sl 99 [100], 4). Este é o nome pelo qual fomos salvos, ao qual se dobra todo joelho na terra, no céu e no mundo inferior e no qual a criatura ama o Senhor seu Deus. Sim, o Senhor é bom. Por que é bom? Porque seu amor é fiel eternamente (Sl 99 [100], 5). De fato, é bom por sua misericórdia. Somente por causa dela se dignou cancelar a amaríssima sentença de condenação universal. Eis o cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo (Jo 1, 29).
Sermo 6
(Patrologia Latina 52, 202-204)