Monge
 
 
 
 

10 de fevereiro

SANTA ESCOLÁSTICA, Virgem,

(irmã de nosso Pai São Bento)

Leitura do dia: Lc 10, 38-42

Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo

Felizes os que foram dignos de receber a Cristo em sua casa

                    Marta e Maria eram duas irmãs, não apenas segundo a carne, mas também na religião. Ambas aderiram ao Senhor, ambas o serviram num só coração enquanto ele esteve presente em sua humanidade. Marta o recebeu como é costume receber os peregrinos. Porém, recebeu o Senhor, como serva; o Salvador, como enferma; o Criador, como criatura. Aquela que devia ser alimentada no espírito recebeu o Senhor para lhe dar o alimento do corpo. Que nenhum de vós diga: "Felizes os que foram dignos de receber a Cristo em sua casa!" Não te entristeças, nem te lamentes por teres nascido numa época em que não podes mais vê-lo na carne; ele não te privou dessa honra. Com efeito, diz o Senhor: Todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes! (Mt 25,40).

                    Marta, determinada e pronta para oferecer alimento ao Senhor, preocupava-se muito com o serviço. Maria, sua irmã, preferiu deixar-se alimentar pelo Senhor. Abandonou, de certo modo, a irmã que se desdobrava no serviço e, pondo-se aos pés do Senhor, ouvia atenta a sua palavra.

O ouvido fiel escutou: Parai e conhecei que eu sou Deus (Sl 45 [46],11). Uma se inquietava, a outra se comprazia; uma se ocupava com muitas coisas; a outra considerava apenas uma coisa. Marta interpela o hóspede e queixa-se a ele como juiz porque sua irmã, abandonando-a, não se preocupava em ajudá-la no serviço. Enquanto Maria, embora presente, nada responde, o Senhor pronuncia a sentença. E o que diz? Marta, Marta! A repetição do nome é um sinal de afeto ou talvez um apelo para chamar a sua atenção. De fato, para que ouça com mais atenção, ela é chamada duas vezes: Marta, Marta, escuta: Tu te preocupas e andas agitada com muitas coisas. No entanto, uma só coisa é necessária. Não uma coisa só, como se fosse a única, porém, urgente, conveniente, necessária: foi a que Maria escolheu. Maria escolheu a melhor parte. Não que tenhas escolhido uma coisa má, mas a parte que ela escolheu é melhor. E não lhe será tirada (Lc 10, 41-42).

                    Eis o que Maria escolheu: lá não alimentamos, somos alimentados. Lá será pleno e perfeito o que Maria escolheu. Na terra, ela recolhia as migalhas da rica mesa da palavra de Deus. Quereis saber como será no céu? Eis o que o Senhor afirma acerca de seus servos: Em verdade, vos digo: ele mesmo os fará sentar à mesa e passará para servi-los (Lc 12,37). O que significa servi-los?

                    Primeiramente passa, depois serve. Onde? Naquele último banquete, sobre o qual afirma: Em verdade, vos digo: Virão muitos do oriente e do ocidente e tomarão lugar à mesa do Reino de Deus, com Abraão, Isaac e Jacó (Lc 13, 29.28). Lá, o Senhor alimenta; primeiro, passa por aqui, pois, como sabeis, Páscoa significa "passagem". O Senhor veio, realizou coisas divinas e sofreu as humanas. Passou. O próprio Evangelho fala nesse sentido, quando narra que ele celebrou a Páscoa com os seus discípulos. O que diz o Evangelho? Tinha chegado a hora de passar deste mundo para o Pai (Jo 13,1). Por conseguinte, ele passou para nutrir; sigamo-lo para sermos nutridos.

Sermo 103, 2-5.6
(Patrologia Latina 38, 613-614. 615-616)

                                                           

 


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Última revisão: 01/02/2006
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