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11 de maio
SOLENIDADE DE PENTECOSTES (ano A)
Leitura do dia: Jo 20, 19-23
Depois que nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo morreu, ressuscitou e subiu ao céu, sua Igreja, formada por uma centena de pessoas, se reuniu, no andar superior de uma casa, com Maria, sua Mãe, e com seus irmãos. A Igreja de Cristo está ali onde se prega que Jesus se encarnou da Virgem. E onde pregam os apóstolos, irmãos do Senhor, ouve-se o Evangelho.
Inicialmente, depois da ascensão do Senhor, a Igreja era formada por cento e vinte pessoas. Depois se dilatou tanto que encheu o mundo, abrangendo inumeráveis povos. Que isto iria acontecer, o Senhor manifestou aos apóstolos, quando disse: Se o grão de trigo que cai na terra não morre, ele fica só. Mas, se morre, produz muito fruto (Jo 12, 24). Realmente, pela morte e ressurreição do Senhor, foram produzidos muitos frutos para a salvação do homem. No grão de trigo, nosso Senhor e Salvador indicou seu corpo. Quando foi sepultado, fez surgir muitos e inumeráveis frutos, porque pela ressurreição de Cristo, despontaram em todo o mundo plantas de virtudes e searas de povos crentes. E a morte de um se tornou a vida de todos.
Com razão, em outra passagem do Evangelho, o Senhor faz esta comparação sobre o Reino dos Céus: O Reino dos Céus é como um grão de mostarda que alguém tomou e semeou no seu campo. Embora seja a menor de todas as sementes, quando cresce, torna-se um arbusto maior que todas as hortaliças, a tal ponto que os pássaros do céu vêm fazer ninhos em seus ramos (Mt 13, 31-33). O Senhor comparou-se a si mesmo ao grão de mostarda. Sendo o Deus da glória, de majestade eterna, tornou-se o menor de todos, porque se dignou nascer da Virgem, como uma criança pequenina.
Foi semeado na terra quando puseram seu corpo no sepulcro. Mas, depois de ressuscitar cresceu nessa mesma terra, pela glória da ressurreição, e tornou-se árvore, em cujos ramos se abrigam os pássaros do céu. Essa árvore é a Igreja, que depois da morte de Cristo, ressuscitou na glória. É fácil de entender que os ramos são os apóstolos. Assim como os ramos adornam naturalmente as árvores, assim os apóstolos, com a beleza de sua graça, adornam a Igreja de Cristo. Sabe-se que nesses ramos habitam as aves do céu. Pois neles estamos nós alegoricamente representados, nós que viemos para a Igreja de Cristo e repousamos na doutrina dos apóstolos como numa espécie de ramos.
No princípio, de fato, após a
ascensão do Senhor, a Igreja contava com um pequeno número de pessoas. Mas
depois cresceu tanto que encheu o mundo todo, ocupando não só cidades, mas
também diversas nações. Crêem os Persas, crêem os Indianos, crê o mundo todo.
Esses povos foram pacificados para prestar culto a Cristo, não pelo terror das
espadas ou pelo medo dos imperadores, mas apenas pela fé. E estão mais
dispostos, se a necessidade o exigir, a perder a vida por seu Rei do que perder
a fé. E com razão. Porque este Rei pelo qual lutamos dá o prêmio a seus soldados
também depois da morte. O Rei deste mundo nada pode dar, depois da morte, ao
soldado que morreu por ele, porque também ele está sujeito à morte. Mas Cristo,
rei, dá aos soldados que morreram por ele o prêmio da imortalidade eterna. O
soldado do mundo, se for morto pelo rei, está vencido. Mas o soldado de Cristo
vence mais ainda, se merecer morrer por ele.
Sermo 30, De Ecclesia nascentis exordiis
(Corpus Christianorum Latinorum 9 A, 136-137)
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