Monge
 
 
 

 

13 de abril

4º DOMINGO DA PÁSCOA (ano A)

Leitura do dia: Jo 10, 1-10

Da Exposição sobre o Evangelho de São João, de Santo Tomás de Aquino, presbítero

O serviço do pastor é a caridade     

            Disse Jesus: Eu sou o bom pastor (Jo 10, 11). É evidente que o título de pastor convém a Cristo. Pois assim como um pastor dirige e leva às pastagens seu rebanho, assim Cristo restaura os fiéis com um alimento espiritual: seu próprio Corpo e seu próprio Sangue.

            Para se distinguir do mau pastor e do ladrão, Jesus explica que ele é o bom pastor. Bom, porque realiza o serviço de pastor com a dedicação de um bom soldado para com sua pátria. Por outro lado, disse Cristo que o pastor entra pela porta, e que ele mesmo é essa porta. Quando, pois, declara aqui ser pastor, deve-se entender que é ele quem entra, e por si mesmo. E é bem verdade, pois manifesta que conhece o Pai por si mesmo; enquanto nós entramos por ele, e é ele que nos dá a bem-aventurança.

Notemos que ninguém, a não ser ele, é porta; e que ninguém, a não ser ele, é luz, senão por participação. João Batista não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz (Jo 1, 8). Quanto a Cristo, era a luz que ilumina todo homem (Jo 1, 9). Ninguém, pois, pode dizer-se porta, pois Cristo reservou para si esse título.

            Mas, quanto ao título de pastor, ele o comunicou a outros, e o deu a alguns de seus membros. Com efeito, Pedro foi pastor; os outros apóstolos também foram pastores, assim como todos os bons bispos. Eu vos darei pastores segundo o meu coração (Jr 3, 15). Ainda que os chefes da Igreja – que dela são filhos – sejam todos pastores, disse Cristo: Eu sou o bom pastor, para mostrar a força de seu amor. Nenhum pastor é bom, se não estiver unido a Cristo pela caridade, tornando-se, assim, membro do pastor verdadeiro.

            O serviço do bom pastor é a caridade. Por isso, Jesus diz: O bom pastor dá a vida por suas ovelhas (Jo 10, 11). Pois é preciso saber aquilo que distingue o bom do mau pastor: o bom pastor cuida do interesse de seu rebanho, o mau pastor busca seu próprio interesse.

            É justamente o que diz o profeta: Ai dos pastores de Israel, que se apascentam a si mesmos! Não são os pastores que devem apascentar as ovelhas? (Ez 34, 2). Aquele que nada faz, a não ser utilizar o rebanho para seu próprio interesse, não é um bom pastor. Um bom pastor, no sentido natural, tudo suporta pelo rebanho que vigia, como testemunha Jacó: Durante o dia devorava-me o calor, durante a noite o frio (Gn 31, 40).

            Mas a salvação do rebanho espiritual é mais importante que a vida do pastor; por isso, quando o rebanho está em perigo, o pastor deve dar a vida pela salvação do rebanho. É o que diz o Senhor: O bom pastor dá a vida por suas ovelhas (Jo 10, 11); isto é, sua vida corporal, pelo caridoso exercício da autoridade. Cristo mostrou-nos o exemplo: Deu a vida por nós. Portanto, também nós devemos dar a vida pelos irmãos (1Jo 3, 16).  

Super evangelium S. Ioannis Lectura, cap. 10, lectio 3
(Marietti,  p. 261)



 

IR PARA O PRÓXIMO TEXTO >>

<< VOLTAR AO ÍNDICE DE TEXTOS

  

 
 
Última revisão: 25/04/2008
Copyright © 1996-2008 by Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS