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14 de maio
5º DOMINGO DA PÁSCOA (ano B)
Leitura do dia: Jo 15, 1-8
Eu sou a videira, vós os ramos.
Querendo mostrar a necessidades de estarmos unidos a ele pelo amor, e a grande vantagem que nos vem dessa união, o Senhor afirma que é a videira. Os ramos são os que já se tornaram participantes de sua natureza pela comunicação do Espírito Santo. De fato, é o Espírito de Cristo que nos une a ele.
A adesão a essa videira nasce da boa vontade; a união da videira conosco procede de seu afeto e natureza. Foi, de fato, pela boa vontade que nos aproximamos de Cristo, mediante a fé; mas participamos de sua natureza por termos recebido dele a dignidade da adoção filial. Pois, segundo São Paulo, quem adere ao Senhor torna-se com ele um só espírito (1Cor 6, 17).
Do mesmo modo, o autor sagrado, noutro lugar da Escritura, dá ao Senhor o nome de alicerce e fundamento. Sobre ele somos edificados como pedras vivas e espirituais, para nos tornarmos, pelo Espírito Santo, habitação de Deus e formarmos um sacerdócio santo. Entretanto, isso só será possível se Cristo for nosso fundamento. A mesma coisa vem expressa na analogia da videira: Cristo afirma ser, ele próprio, a videira e, por assim dizer, a mãe e a educadora dos ramos que dela brotam.
Nele e por ele fomos regenerados no Espírito Santo, para produzirmos frutos de vida, não da vida antiga e envelhecida, mas daquela vida nova que procede do amor para com ele. Essa vida nova, porém, só poderemos conservá-la se nos mantivermos perfeitamente inseridos em Cristo, se aderirmos fielmente aos santos mandamentos que nos foram dados, se guardarmos com solicitude esse título de nobreza adquirida e se não permitirmos que se entristeça o Espírito que habita em nós, quer dizer, Deus que por ele mora em nós.
O evangelista João nos ensina sabiamente de que modo estamos em Cristo e ele em nós, quando diz: A prova de que permanecemos nele, e ele em nós, é que ele nos deu algo de seu Espírito (1Jo 4, 13).
Assim como a raiz faz chegar aos ramos sua seiva natural, também o Unigênito de Deus concede aos homens, sobretudo aos que lhe estão unidos pela fé, o seu Espírito. Ele os conduz à santidade perfeita, comunica-lhes a afinidade e parentesco com sua natureza e a do Pai, alimenta-os na piedade e dá-lhes a sabedoria de toda a virtude e bondade.
Commentarium in Ioannis Evangelium,
liber 2, 10
(Patrologia Grega 74, 331-334)