Monge
 
 
 
 

16 de abril

DOMINGO DA PÁSCOA (ano B)

Leitura do dia: Jo 20, 1-9

Das Homilias de Santo Astério de Amaséia, bispo

Digno é o Cordeiro que foi imolado de receber o poder e a força

            Alegre-se hoje a Igreja herdeira; Cristo, seu Esposo, depois da Paixão, ressuscitou! Ela, que chorou por sua paixão, alegre-se por sua ressurreição!

            Alegra-te, Igreja-Esposa! A ressurreição do Esposo te levantou do chão, onde jazias prostrada, e eras pisoteada. Os pés da cortesã não mais dançam por causa da morte de João Batista, mas os da Igreja calcam a morte. A fé não é mais negada, e todos os joelhos se dobram; cessaram os sacrifícios, e os salmos brotam como flores. Não é mais a fumaça dos sacrifícios que se eleva, mas o incenso das orações: Minha oração suba a vós como incenso (Sl 140 [141], 2). As imolações de animais não têm mais valor, depois que foi imolado o Cordeiro que tira o pecado do mundo.

Ó maravilha! A mansão dos mortos devorou a Cristo Senhor e não o digeriu. O leão engoliu o Cordeiro e não pôde conservá-lo em seu estômago. A morte sorveu a vida, mas tomada de náuseas, vomitou até os que anteriormente devorara. O gigante não conseguiu levar Cristo que morria; morto, ele tornou-se terrível para o gigante; lutou contra alguém que estava vivo e este caiu, vencido pelo morto.

Um só grão foi semeado e o mundo inteiro alimentado. Imolado como homem, voltou à vida como Deus, dando a vida ao universo. Como ostra foi esmagado e como pérola adornou a Igreja. Como ovelha foi sacrificado e, como um pastor com o cajado, expulsou com a cruz a tropa dos demônios. Como uma lâmpada no candelabro, extinguiu-se na cruz e, como o sol, levantou-se do túmulo. Presenciou-se um duplo prodígio: enquanto Cristo estava sendo crucificado, o dia era encoberto pelas trevas; e enquanto ressurgia, a noite brilhava como o dia.

            Por que o dia escureceu? Porque acerca desse dia está escrito: Das trevas fez o seu esconderijo (Sl 17, 12: Vulg.). E por que a noite brilhou como o dia? Porque o Profeta lhe disse: Mesmo as trevas para vós não são escuras, a própria noite resplandece como o dia (Sl 138 [139], 12).

Ó noite mais clara que o dia! Ó noite mais fúlgida que o sol! Ó noite mais alva que a neve! Ó noite mais brilhante que os archotes! Ó noite mais deleitável que o paraíso!

Ó noite livre das trevas! Ó noite que repeles o sono! Ó noite que ensinas a vigiar com os anjos! Ó noite terrível para os demônios! Ó noite desejo do ano!

Ó noite que apresentas a Igreja a seu Esposo! Ó noite que geras os recém-nascidos pelo batismo! Ó noite na qual o diabo adormecido foi desarmado! Ó noite na qual o herdeiro introduz a herdeira em sua herança!

Homilia 19 in Psalmum 5
(Patrologia Grega 40, 433-434)

 

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Última revisão: 04/04/2006
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