Monge
 
 
 

 

16 de setembro

24º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano C)

Evangelho do dia: Lc 15, 1-32

Do Comentário sobre o Evangelho de São Lucas, de Santo Ambrósio, bispo

O Redentor vem em socorro, a Igreja assiste, o Pai restabelece a amizade

               Não foi sem motivo que São Lucas propôs as três parábolas que seguem: a ovelha que se perdera e foi encontrada, a dracma também perdida e achada, e enfim o filho que estava morto e ressurgiu. Esse tríplice remédio para as nossas feridas nos convida a tratá-las com cuidado. Porque, como diz o Eclesiastes: A corda tripla não se arrebenta facilmente (Ecl 4,12).

               Quem são esse Pai, esse Pastor, essa Mulher? Não serão Deus, Cristo e a Igreja? Cristo tomou sobre ele os teus pecados e te carrega em seu corpo. A Igreja te procura, o Pai te acolhe. Como um Pastor, Cristo reconduz; como Mãe, a Igreja procura; e Deus, como Pai, dá a veste festiva: primeiro a misericórdia, depois a assistência, e, enfim, a comunhão reconquistada. Cada etapa corresponde a uma das parábolas: o Redentor vem em socorro, a Igreja assiste, o Pai restabelece a amizade. É sempre a mesma misericórdia que age, mas a graça varia segundo as necessidades. A ovelha fatigada é reconduzida pelo Pastor, a dracma perdida é reencontrada, o filho volta a seu Pai e entra de novo em casa, plenamente arrependido de seu gesto de revolta.

               Alegremo-nos, pois, vendo a ovelha, que se transviara em Adão, reerguida em Cristo. As espáduas de Cristo são os braços da cruz. Foi aí que depositei os meus pecados, foi sobre os ombros da cruz que eu próprio repousei. Porque o Filho do Homem veio salvar o que estava perdido (Lc 19, 10), isto é, todos os homens. É o que afirma São Paulo: Como em Adão todos morrem, assim em Cristo todos serão vivificados (1Cor 15, 22). Cristo é, portanto, um rico pastor, pois todos formamos um centésimo de sua herança. Ele possui os rebanhos inumeráveis dos Anjos, dos Arcanjos, das Dominações, das Potestades, dos Tronos, e outros ainda, que deixou nas alturas.

               Também não é sem importância que esta Mulher se alegra por ter reencontrado a dracma; não é pouca coisa esta dracma onde figura a efígie de Cristo. Assim, a imagem do Rei é, para a Igreja, a moeda do imposto.

               Nós somos ovelhas: peçamos ao Pastor que se digne conduzir-nos à água que reanima; nós somos ovelhas, repito: peçamos as verdes pastagens. Nós somos dracmas: conservemos o nosso valor. Nós somos filhos: corramos ao Pai.

               E não tenhamos medo se dissipamos em prazeres terrestres o patrimônio da dignidade espiritual que tínhamos recebido. Pois Deus, diz a Sabedoria, não se alegra com a perdição dos vivos (Sb 1, 13). Eis que ele vem ao vosso encontro. Ele se inclinará sobre vós, porque ele faz erguer-se o caído (Sl 145 [146], 8). Ele vos dará o beijo, que é sinal de ternura e amor. Ele fará que vos dêem a veste, anel e calçado. Vós temeríeis ainda uma afronta? Ele vos devolve a vossa dignidade. Receais o suplício? Ele vos dá um beijo. Temíeis a sua censura? Ele prepara um festim.

In Lucam, lib. VII, 207-212
(Sources Chrétiennes 52, 87-89)

 

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Última revisão: 20/09/2007
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