Monge
 
 
 

 

18 de maio

SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE (ano A)

Leitura do dia: Jo 3, 16-18

Do Tratado sobre a Trindade, de Santo Agostinho bispo

Dirigindo todo meu emprenho para esta regra de fé,
eu te procurei e desejei ver pelo entendimento o que creio

            Senhor nosso Deus, nós cremos em ti, Pai, Filho e Espírito Santo. Pois a Verdade não teria dito: Ide, batizai todas as nações em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28, 19), se não fosses Trindade. Nem nos ordenarias que fôssemos batizados, ó Senhor nosso Deus, em nome de alguém que não é o Senhor Deus. Nem a voz divina diria: Ouve, Israel! O Senhor nosso Deus  é o único Senhor (Dt 4, 6), se não fosses Trindade e, ao mesmo tempo, o único Senhor Deus. E se tu, Deus Pai, fosses Pai e ao mesmo tempo fosses Filho, teu Verbo, Jesus Cristo; e fosses o mesmo Dom, que é o Espírito Santo, não leríamos nas Escrituras da Verdade: Deus enviou o seu Filho (Gl 4, 4; Jo 3, 17). Nem tu, ó Filho Unigênito, dirias do Espírito Santo: aquele que o Pai enviará em meu nome (Jo 14, 26); e, aquele que eu vos enviarei da parte do Pai (Jo 15, 26).

            Dirigindo todo meu empenho para esta regra de fé, na medida de minhas forças e o quanto me tornaste capaz, eu te procurei e desejei ver pelo entendimento do que creio. Muito discuti e muito trabalhei.

            Senhor meu Deus, única esperança minha, ouve-me, a fim de que jamais me entregue ao cansaço e não mais queira te buscar, mas, ao contrário, que sempre procure a tua face, com todo o ardor. Fortalece aquele que te busca, tu que permitiste seres por ele encontrado, e o cumulaste com a esperança de sempre mais te encontrar.

            Eis em tua presença a minha força e a minha fraqueza: conserva a força e cura a fraqueza. Na tua presença, minha ciência e minha ignorância: lá onde me abriste, permite que eu entre. Lá onde me fechaste, abre-me ao bater. Que eu me lembre de ti, que te compreenda e que te ame! Faze-me crescer nesses dons, até que me restaures totalmente.

            Sei que está escrito: No muito falar não faltará o pecado (Pr 10, 19). Mas, oxalá, falasse eu tão somente para anunciar tua palavra e dirigir-te meus louvores! Não apenas evitaria o pecado, mas alcançaria bons merecimentos, ainda que assim me excedesse no falar. Pois aquele homem, por ti amado, não teria aconselhado cometer pecado a seu filho e irmão na fé, ao qual escreveu dizendo: Proclama a palavra, insiste oportuna e inoportunamente (2Tm 4, 2). Poder-se-á dizer que não falou muito quem não cessava, Senhor, de anunciar tua Palavra, não somente no momento oportuno, mas também no momento inoportuno? Não teria sido certamente muito, mas o necessário. Livra-me, ó Deus, do muito falar, o que me atormenta, no interior de minha alma, mísera, na tua presença, mas que se refugia em tua misericórdia. 
 

De Trinitate liber 15, 51
(Corpus Christianorum Latinorum 50 A, 533-535)



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Última revisão: 20/05/2008
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