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23 de setembro
25º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano C)
Evangelho do dia: Lc 16, 1-13
Dai do que vos pertence com justiça
No Evangelho de hoje, nosso Senhor nos recomenda usar as riquezas da iniqüidade para fazermos amigos que nos recebam nas moradas eternas. Estas moradas, quem as possuirá, senão os santos de Deus? E estes santos, a quem receberão nas moradas eternas, senão aos homens que se tornam servidores dos seus pobres, e que lhes dão, com um sorriso, tudo que necessitam?
Lembremo-nos da cena do Juízo e das palavras dirigidas pelo Senhor aos homens colocados a sua direita: Eu estava com fome, e me destes de comer (Mt 25, 35) – e o resto que já conheceis. Quando estas pessoas perguntam: “Quando foi que te prestamos estes serviços?”, o Senhor lhes responde: Todas as vezes que fizestes isso a um destes mais pequenos, que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes! (Mt 25, 40). Pois bem, são estes mais pequenos que recebem nas moradas eternas.
Não são os mais pequenos de Cristo aqueles que deixaram tudo para segui-lo, dando aos pobres tudo que possuíam? Libertos de todos os obstáculos deste mundo, aliviados de todos os fardos, encontraram asas para a sua ascensão. Ei-los mais pequenos, porque são humildes, porque negam toda altivez e todo orgulho. Pesai estes mais pequenos e encontrareis neles um grande peso.
Com as riquezas da iniqüidade (Lc 16, 9). Há os que compreendem mal estas palavras. Apoderam-se dos bens alheios e, quando dão alguma coisa aos pobres, pensam respeitar o preceito. Eis o seu raciocínio: as riquezas da iniqüidade são os bens injustamente adquiridos. Dar uma parte deles aos pobres, especialmente para Cristo, é fazer amigos com as riquezas da iniqüidade. Esta é uma interpretação que deve ser corrigida; ou melhor, que deve ser afastada radicalmente de vossos corações. Desejo que não interpreteis deste modo. Fazei esmola do que recebeis de um verdadeiro trabalho; dai do que vos pertence com justiça.
Riquezas da iniqüidade: o que quer dizer isto? De onde quer que provenha, é a fortuna deste mundo. É esse “dinheiro” injustamente ornado com o nome de “riqueza”! As verdadeiras riquezas, se quereis saber, não são encontradas aqui. Jó, despojado de tudo, transbordava destas riquezas, quando seu coração era todo de Deus, e, tendo perdido tudo, lhe oferecia seus louvores como se fossem pérolas do mais alto valor. De que tesouro as retirava ele, que nada possuía?
Eis as verdadeiras riquezas. As outras são falsas, e é por isso que o Senhor as chama riquezas da iniqüidade. Tu as possues? Nada tenho contra. Tu as herdaste, teu pai as possuía e deixou para ti. Ou então, trabalhaste honradamente, e teu trabalho honesto te enriqueceu a tua casa: ainda uma vez, nada tenho contra. Mas, não chames a isto “ser rico”; porque, então, te prendes a estas supostas riquezas: e, se te prendes, deixarás que te levem. Antes perdê-las, do que te perderes. Dá, para possuir; semeia, para colher.
Que riquezas são essas, que te causam medo? Medo de seres roubado, medo de que teu escravo te mate, para tomá-las e desaparecer com elas! Riquezas verdadeiras deveriam dar-te segurança! Ajuntai para vós tesouros no céu, diz o Senhor, onde os ladrões não assaltam (Mt 6, 20).
Sermo 113, 1.2.4.5
(Patrologia Latina 38, 648-650)
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