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25 de maio
8º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano A)
Leitura do dia: Mt 6, 24-34
Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça
Que deverão os discípulos aprender e praticar por estas palavras? Certamente, que devem colocar toda a esperança de sustento em Deus e lembrar-se do que diz o santo Salmista: Lança sobre o Senhor os teus cuidados, porque ele há de ser teu sustento (Sl 54 [55], 23). Pois, na verdade ele dá aos santos o suficiente para a vida, uma vez que não mente quando diz: Não vivais preocupados com o que comer ou beber, quanto à vossa vida, nem com o que vestir. Vosso Pai que está nos céus sabe que precisais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão dadas por acréscimo (Mt 6, 25.32-33).
Em verdade, era muito útil e necessário que aqueles que foram distinguidos com a dignidade de apóstolos tivessem a mente livre de cobiça material e abominassem juntar riquezas, sendo-lhes suficiente o que vem de Deus, como está escrito: A cobiça é a raiz de todos os males (1Tm 6, 10). Com efeito, era preciso que eles fossem isentos do que é a raiz e a fonte de todos os males, que aplicassem todas as suas forças nas coisas essenciais, a fim de que, não subjugados por Satanás, e caminhando longe das preocupações do mundo, desprezassem o que é da carne, e desejassem somente o que Deus quer.
Assim como os soldados quando vão à batalha nada levam além das armas necessárias ao combate, também aqueles que Cristo enviava para socorrer a terra e para travar combate contra os dominadores deste mundo tenebroso (Ef 6, 12), até contra o próprio Satanás, em defesa dos que estavam prestes a perecer, deviam estar livres dos cuidados deste mundo e de toda a solicitude terrena. Só desse modo estariam bem armados e munidos das armas espirituais, podendo combater virilmente contra os que resistem à glória de Cristo e se apossaram deste mundo, levando os habitantes da terra a adorar a criatura, em vez do Criador, e prestarem culto aos elementos do mundo.
Possuindo, dessa maneira, o escudo da fé, a couraça da justiça
e empunhando a espada do Espírito, que é a palavra de Deus (cf. Ef 5,
14.17), os apóstolos deveriam ser inexoráveis para com os inimigos, sem mancha
ou culpa, isto é, sem cobiça de outras posses ou procura de lucros, porque tal
solicitude afasta a mente humana de Deus, mergulhando-a sempre mais nos
pensamentos materiais e terrenos.
Homilia 62
(Corpus Scriptorum Orientalium Christianorum 70, 160-164)
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