Monge
 
 
 
 

27 de agosto

21º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano B)

Leitura do dia: Jo 6, 60-69

Do Tratado sobre o Sacramento do Altar, de Balduíno de Cantuária, bispo

A fé dos apóstolos

Entre os discípulos de Cristo havia os que tinham fé e os que não tinham; entre os que não acreditavam estava Judas que iria traí-lo. Cristo conhecia todos: quais os que tinham fé e quais os incrédulos; quem o iria trair e quem iria abandoná-lo.

Antes, porém, da retirada dos que se afastariam, mostra que nem todos tinham fé em sua pessoa, mas só aqueles aos quais foi concedido pelo Pai (Jo 6, 65). Por isso, nem a carne e nem o sangue, mas somente o Pai, que está no céu, pode revelar o mistério da fé (1Tm 3, 9); e ele o revela a alguns com exclusão de outros; nós não o sabemos, mas ele sabe porque assim procede; diante desse mistério, para nós tão incompreensível, só nos resta exclamar maravilhados: Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e do conhecimento de Deus! Como são insondáveis os seus juízos e impenetráveis os seus caminhos! (Rm 11, 33).

Na verdade, muitos dos discípulos incrédulos voltaram atrás, preferindo seguir o demônio e não a Cristo. Perguntou então Jesus aos doze que ficaram: Vós também quereis ir embora? Simão Pedro respondeu: “A quem iremos nós, Senhor?” (Jo 6, 67-68). Se de ti nos afastarmos, onde encontraremos a Vida e a Verdade, onde o autor da Vida, onde semelhante Mestre da Verdade? “Tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6, 68). As tuas palavras dão vida eterna quando ouvidas com veneração e guardadas com fé profunda. Pelas tuas palavras prometes a vida eterna, oferecendo-nos o teu corpo e o teu sangue.

E nós, que temos fé em tuas palavras, cremos firmemente e reconhecemos que tu és Cristo, Filho de Deus (cf. Jo 6, 69): tu és a própria Vida e, no teu corpo e no teu sangue, nos dás o que és. Cremos firmemente e reconhecemos que tu és Cristo, Filho de Deus, por isso tens palavras de vida eterna e nós cremos e reconhecemos ser verdade o que disseste. Devemos comer da tua carne e beber do teu sangue, porque tu és Cristo, o Filho de Deus.

Não disse: “reconhecemos e cremos”, mas: cremos firmemente e reconhecemos. Compreende-se então que tal conhecimento vai sendo formado na mente com o progresso da fé. Está escrito a respeito: Se não crerdes não compreendereis (Is 7, 9: Vulg). A fé é um certo conhecimento, mesmo para os simples, que crêem sem aprender a sua argumentação. Ao contrário, o conhecimento que chega a ser formulado em conceitos, é próprio daqueles que têm as faculdades mais exercitadas em indagar as demonstrações da fé, sempre prontos a responder a quem lhes pergunta a razão (cf. 1Pd 3, 15) de nossa fé e de nossa esperança.

De Sacramento Altaris, Pars II, c. 3
(Sources Chrétiennes 93, 296-300)

                                                             


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Última revisão: 31/07/2006
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