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28 de maio
SOLENIDADE DA ASCENSÃO DO SENHOR (ano B)
(7º Domingo da Páscoa)
Leitura do dia: Mc 16, 15-20
Quem é este Rei da glória?
O Evangelho conta a vida e as ações de nosso Senhor na terra e sua volta ao céu. Aqui, porém, o Salmista, elevando-se acima de si mesmo, como que insensível ao peso do corpo, introduz-se entre os poderes celestes e nos refere suas palavras, quando acompanharam a volta do Senhor ao céu. Os anjos que se ocupam com as coisas da terra e aos quais está confiada a passagem dos homens para a outra vida dão esta ordem: Ó portas, levantai vossos frontões! Elevai-vos bem mais alto, antigas portas, a fim de que o Rei da glória possa entrar! (Sl 23 [24], 7.9). Aquele que tudo contém e que, onde quer que se encontre, se adapta à capacidade dos que o recebem, não só se faz homem entre os homens, mas também, quando está entre os anjos, se abaixa até ao nível de sua natureza. É por isso que os guardas das portas interrogam o narrador: Quem é este Rei da glória? (Sl 23 [24], 8).
Os poderes respondem e mostram quão forte e poderoso é no combate aquele que, lutando contra quem retinha na escravidão a natureza humana e possuía nas mãos o comando da morte, venceu um inimigo poderosíssimo, restituindo a liberdade e a paz ao gênero humano. As mesmas vozes repetem o convite: já se encerrou o mistério da morte; foi obtida a vitória sobre os inimigos; ergueu-se contra eles o troféu da cruz. Subindo às alturas, levou cativo o cativeiro (Ef 4, 8; cf. Sl 67 [68], 19) aquele que deu aos homens a vida, o reino e outros dons preciosíssimos.
Ele, porém, ainda está diante de portas fechadas. Vão a seu encontro os nossos guardas e mandam que as portas se abram, para que, passando através delas, receba sua glória. Não o reconhecem, todavia, porque suas vestes são as de nossa sordidez e seu traje está rubro do sangue do lagar de nossos sofrimentos. Seus companheiros são outra vez interrogados com as mesmas palavras: Quem é este Rei da glória? E já não se responde: O valoroso, o poderoso nas batalhas (Sl 23 [24], 8), mas: O Senhor dos exércitos (Sl 23 [24], 10), isto é, o que tem a soberania do mundo, o que recapitula em si todas as coisas, o que detém o primado de tudo, o que restituiu todas as coisas ao estado originário. Esse é o Rei da glória.
Percebeis como Davi nos tornou mais grata essa celebração, misturando sua graça com a alegria da Igreja. Portanto, na medida do possível, imitemo-lo em seu amor para com Deus, na mansidão da vida, na tolerância para com aqueles que nos odeiam e nos perseguem. Assim sua doutrina nos ensinará a viver bem e com felicidade em Cristo Jesus nosso Senhor, a quem se dê glória pelos séculos dos séculos. Amém.
Oratio in Christi Ascensione
(Patrologia Grega 46, 691-694