Monge
 
 
 
 

29 de abril

4º DOMINGO DA PÁSCOA (ano C)

Leitura do dia: João 10, 27-39

Do Comentário sobre o Evangelho de São João, de São Cirilo de Alexandria, bispo

Aqueles que crêem, pela graça divina, seguem os passos de Cristo


            A marca distintiva das ovelhas de Cristo é sua disposição para a escuta e sua docilidade para a obediência, enquanto as outras se caracterizam pela desobediência.

            O verbo escutar, nós o compreendemos no sentido de aquiescer ao que é dito. Na verdade, aqueles que escutam a Deus são por ele conhecidos, pois, ser conhecido significa estar unido. Não há ninguém que seja inteiramente ignorado por Deus. Com efeito, quando afirma: Conheço minhas ovelhas (Jo 10, 14), Cristo quer dizer: “Eu as acolherei e as unirei a mim misticamente e por uma união de amor”.

            Podemos afirmar que, ao fazer-se homem, ele se uniu à humanidade toda por uma união de natureza e de consangüinidade. Assim procedeu, para que todos nos unamos e nos assemelhemos a Cristo por uma relação mística, em virtude de sua encarnação. Aqueles, porém, que não guardam a semelhança de sua santidade, lhe são estranhos.

            Disse ainda: Minhas ovelhas me seguem (Jo 10, 27). De fato, aqueles que crêem, pela graça divina, seguem os passos de Cristo. Não obedecem mais aos preceitos da lei, que eram figuras, mas, seguindo pela graça divina os preceitos e a palavra de Cristo, elevam-se até sua dignidade, sendo, por conseguinte, chamados filhos de Deus (1Jo 3, 1). Quando Cristo sobe ao céu, eles também o acompanham.

            O Senhor promete aos que o seguem, dar-lhes a recompensa e o prêmio da vida eterna. Promete ainda preservá-los da morte e da corrupção, bem como dos castigos reclamados pelo juiz, contra os que cometeram transgressões. Cristo, pelo fato de dar sua vida, mostra que, por natureza, é a vida em pessoa; e que essa vida, ela a dá de si mesmo, sem recebê-la de outro.

            Por vida eterna (Jo 10, 28), compreendemos não essa interminável sucessão dos dias que todos, bons ou maus, possuirão depois da ressurreição, mas a vida que passaremos na alegria. Podemos também compreender a vida no sentido de eucaristia. Por ela, Cristo enxerta em nós sua própria vida, fazendo com que os fiéis participem de sua carne. Pois ele disse: Quem come minha carne e bebe meu sangue tem a vida eterna (Jo 6, 54).

 

In Ioannis Evangelium liber 7, cap. 10, 26
 (Patrologia Grega 74, 20)

                                                            


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Última revisão: 29/03/2007
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