Monge
 
 
 
 

30 de julho

17º DOMINGO DO TEMPO COMUM (ano B)

Leitura do dia: Jo 6, 1-15

Do Tratado sobre o Sacramento do Altar, de Balduíno de Cantuária, bispo

A fé que opera pelo amor é a verdadeira obra de Deus

        A obra de Deus é que acrediteis naquele que ele enviou (Jo 6, 29). A multidão interrogava Jesus quanto às obras como se fossem muitas; ele respondeu no singular para mostrar que todas as boas obras procedem de uma só. A fé que opera pelo amor é a verdadeira obra de Deus, e é, dentro de nós, o princípio de todas as nossas boas ações. Sem a fé é impossível agradar a Deus (Hb 11, 6).

        Os judeus perguntavam pelas obras de Deus porque ainda não tinham a fé indispensável para alguém poder realizar tais obras; por isso eram convidados a abraçar a fé que é a obra de Deus; isto é, acreditar naquele que Deus enviara. Compreenderam que ele se referia a si próprio, pois disseram: Que sinais realizas? (Jo 6, 30). Os judeus pedem um sinal. O milagre dos cinco pães multiplicados por Cristo não lhes basta. Para Jesus exigir que acreditem em seu poder de dar um alimento imperecível, acham pouco ele lhes ter distribuído pães de cevada. Nem mesmo Moisés prometeu tanto, ele que obtivera para o povo o maná do céu. Comparam a este milagre de Moisés como se a promessa de Jesus não fosse digna de fé. Disseram: Nossos pais comeram o maná no deserto, como está na Escritura: “Deu-lhes a comer o pão do céu” (Jo 6, 31).

        A esta alusão ao pão do céu dado a seus pais é que Jesus responde. Mostra que o verdadeiro pão do céu não foi dado por Moisés, mas é dado agora pelo Pai: Em verdade, em verdade, vos digo: não foi Moisés quem vos deu o pão do céu. É meu Pai quem vos dá o verdadeiro pão do céu (Jo 6, 32). Mas eles, entendendo isto de modo carnal replicaram: Senhor, dá-nos sempre desse pão! (Jo 6, 34). A Samaritana ouvindo-o dizer: Quem beber da água que eu darei, nunca mais terá sede (Jo 4, 14), tinha também compreendido essas palavras em sentido material; e, para livrar-se das necessidades do corpo, pedira-lhe: Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem tenha de vir aqui tirar água (Jo 4, 15). Do mesmo modo os judeus também disseram: Senhor, dá-nos sempre desse pão que nos há de restaurar as forças, e jamais teremos sede. Por esta razão, depois do milagre dos cinco pães, quiseram proclamá-lo rei.

        Mas Jesus os convida a olhar para sua pessoa e lhes revela com maior clareza de que pão se trata: Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede (Jo 6, 35). Quem vem a mim corresponde a quem crê em mim. O não terá mais fome tem o mesmo sentido de nunca terá sede. Em ambas as afirmações é significada a eterna saciedade onde nada faltará.
 

De Sacramento Altaris, Pars II, c. 3
(Sources Chrétiennes 93, 248-252

                                                            

 


<< VOLTAR AO ÍNDICE DE TEXTOS

 

 
 
Última revisão: 27/06/2006
Copyright © 1996-2006 by Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro
TODOS OS DIREITOS RESERVADOS