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31 de maio
VISITAÇÃO DE NOSSA SENHORA
Leitura do dia: Lc 1, 39-56
Maria, a excelentíssima Mãe de Deus, saudada pelo anjo, grávida por obra do Espírito Santo, elevada sobre a montanha de todas as virtudes, honrada pela exultação de João Batista ainda no ventre materno, louvada pelas palavras proféticas de Isabel, exclama com o coração transbordando de alegria: A minha alma engrandece o Senhor (Lc 1, 47).
Observa, em primeiro lugar, onde ela engrandece o Senhor. É nas montanhas, numa cidade de Judá, na casa de Zacarias. Levantando-se do vale da vaidade terrestre, do abismo da corrupção humana, das planícies da comum iniqüidade, Maria partiu apressadamente para as montanhas. As montanhas são os cumes da perfeição, a saber, a verdade que plenifica uma alma iluminada por Deus, a virgindade de uma carne perfeitamente íntegra, cobrindo-a com sua sombra o poder do Altíssimo para fecundar-lhe o seio. São essas as montanhas para as quais Maria sobe; lá se encontram a cidade de Judá e a casa de Zacarias.
Subindo às alturas, a Mãe de Deus ouve Isabel profetizar acerca de seu destino e recorda a mensagem que recebera do Senhor por intermédio do anjo. Considera a pureza de sua consciência, compreende que sua carne foi preservada de toda corrupção e vê-se inteiramente conduzida por Deus para esses cumes. Por conseguinte, de agora em diante, ultrapassando o mundo e as criaturas, tanto pelo mérito de sua vida e por uma singular prerrogativa da graça, quanto pela alegria infinita, Maria canta ao Senhor um cântico novo: A minha alma engrandece o Senhor.
A alma de Maria engrandece o Senhor porque também ela própria foi por ele engrandecida. Com efeito, sua alma não teria podido engrandecer o Senhor se não tivesse primeiramente sido por ele engrandecida. Ela, pois, engrandece aquele por quem foi engrandecida; engrandece-o não apenas pelo louvor de sua boca ou pela integridade de seu corpo, mas pelo caráter único de seu amor.
Em Maria, a língua, a vida, a alma engrandecem o Senhor: a língua o engrandece, narrando a santa magnificência da glória divina; a vida, merecendo por suas obras a mesma glória; e a alma, amando-o de maneira única, atingindo-o pelo vôo da contemplação, encerrando em seu espírito e em seu seio a incompreensível grandeza.
Epistula II, 9.10.12.13.14
(Sources Chrétiennes 66, 58.60.62.64)